Ouço que o Ipê que plantei não mais existe. O Ipê, era moço ainda, e loiro. De pequeno o Ipê se assemelha a um galho torto que não inspira futuro. Vendo-o pequeno, nem o nome vêm à mente, senão nos dias de setembro em que brota. E quando brota, quem há de pensar que aquela mesa lá de casa é sua prima? Madeira que cupim não roe, árvore que não pega fogo. Mas não de menino, quando precisa de ajuda até para defender-se das formigas. Leva bem umas quatro décadas para ficar bonito, passar para um nível acima, assim, dos fios dos postes de luz. E homem, aí, quando dá com um deles vê só tronco. Mas pequeno, corta-se logo o galho e cimenta o solo.

Não ligava tanto para a rua, uma ladeira em que nada para. Mas pedia sempre notícias do Ipê, fotos. Até mesmo um vídeo nos dias de vento forte ou chuva. Saber como andava a sua sombra no verão. Sua altura em relação aos fios de luz era como uma narrativa inteira, e muito me dizia. Imaginava-lhe as raízes furando a argila antiga, abrindo caminhos para a chuva, infiltrando no solo das velhas casas dos operários que se conformaram. Quando lá chegou tinha já uns sete anos. Deitado em uma Kombi chegou à rua que eu queria fosse minha, não porquê no cartório assim se diz, mas por causa dele, o Ipê.

Nem tábua virou, que era moço demais para suportar serra com integridade. Deve ter ido para o lixo. Na rua vazia agora o vento passa vazio e a chuva se deixa despencar sem distinção.


  1. Eu li um livro da coleção conquiste a rede e vim aqui conhecer teu blog. E tinha que deixar um comentário, conforme o próprio livro diz que é para gente fazer né? Bom feriadão!




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