Choque cultural, é normal…

camaraodaluzia - Andre Deak

Eu disse ao Sábado que esse é um restaurante famoso lá de onde eu venho. Um restaurante e um hotel. Um hotel não muito famoso. E eu disse a ele que a especialidade do restaurante é camarão. E eu tentei explicar a ele como era o camarão. E de onde vinha o camarão que a Luzia preparava. Disse que era um camarão diferente, de água doce, que nasce em lagoas formadas no meio de areia como as de um deserto, mas um deserto onde chove, e quando chove, formam-se as lagoas e daí os camarões brotam.

Ele achou muito estranho. E perguntou que bicho era esse na frente da bicicleta (a bicicleta, ele disse, é igual às que eles têm aqui). Eu disse que era um bicho que servia bem para dar leite (quando fêmea) e que dava boa carne (quando macho) e que tanto um quanto outro (fêmea ou macho) eram fáceis de criar, que sobreviviam de comer pedra e não reclamavam, muito.

Daí ele perguntou se as pessoas deitam nas redes para comer, nesse restaurante, e eu disse que não, que lá também comemos sentados em cadeiras e colocamos os pratos nas mesas e também usamos talheres; mas não todos ao mesmo tempo. E eu disse que as redes são do hotel, são para dormir, como camas.

E eu disse que a imagem (que vocês estão vendo ai encima) quem fez foi um amigo meu que almoçou por lá um dia desses e levou uma máquina que tira retratos que não existem na verdade (eles têm uma palavra específica para isso aqui, assim como nós), uma imagem ‘virtual’ eu disse, e que esse amigo colocou essa imagem num espaço público que é também um espaço virtual, quer dizer, é como uma praça, ou um muro, um grande muro, assim, uma muralha, onde as pessoas podem chegar, ir chegando mesmo, e ir colando as imagens, só que é tudo virtual, isto é, não tem muro, nem fotos, só imagens.

Eu contei tudo isso a ele porque ele disse que gosta de histórias. Mas ele me disse que achava difícil acreditar no que eu estava dizendo.


  1. Gostei demais do blog! Voltarei sempre!
    Um beijo

  2. muito bom!

    ah, as diferenças.

  3. Muito bom Bob! Pelo jeito você foi lá na Luzia também… abração desde las planícies!




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