Nova York com que roupa?

Encontrei um brasileiro. Ou ele me encontrou. Não estávamos nos procurando. Isso é certo. Eu estava tentando conversar com o um beagle quando ele me viu. Perguntei de onde ele era duas vezes em menos de cinco minutos. Você é do Brasil? do mesmo jeito que pergunto Você é do Paquistão? A mesma coisa. Mas depois perguntei. De onde você é? no Brasil, digo. E a resposta não fez a menor diferença. Se ele é cearense, candango ou gaúcho, que diferença faz quando você passou o dia inteiro tentando se comunicar com pessoas de Medelin, Dublin, Praga, Los Angeles e Karachi? Devia ter perguntado: que cor são suas havainas? qual a sua pinga preferida? Não perguntei.

Porque brasileiro fora do país é tudo meio mineiro. Minas é o que nos une. Não faz fronteira com nenhum país, não tem saída para o mar, teve a única revolução de independência comemorada como feriado nacional, tem quase todos os ecossistemas brasileiros e, provavelmente, todo o resto do Brasil tem a mesma visão do que é Minas. Exceto os mineiros, claro. Minas é o Brasil do Futuro, por W.O. Assim como o Brasil é o país do futuro. W.O.

Eu não sou mineiro. Nem o outro brasileiro que me achou. E qual foi nossa conversa? “difícil encontrar brasileiro por aqui.” “Você é o primeiro que eu vejo.” Acompanhado de um “passa lá em casa pruma visitinha” mas de um jeito meio “vê lá hein”. Uma coisa bem mineira. E ele estava acompanhado do filho. Uns três anos, confundindo tudo quanto é palavra em português e inglês. Deu dó. O menino estava numa situação pior que a minha.

Depois disso voltei para beagle, que abanava o rabo para mim, mas de costas, sem me olhar de frente. Não entendi se era um truque para me morder ou um charme para me conquistar. Fiquei com a sensação de estar sendo discriminado. Pela terceira vez, na mesma semana.

A primeira: no sábado recebi convite para uma festa. Traje: preto. Tudo preto. Abri o armário e descobri que só tinha uma camiseta preta. É óbvio que todo mundo tem uma calça, uma camiseta e um casaco preto. Menos eu. Como eles souberam?

A segunda: dois dias depois, convocação para protesto em defesa dos negros, judeus e islâmicos. Traje: laranja. Novamente, nada em laranja no guarda-roupas. Pensei em ir de camiseta vermelha mas fiquei com receio de ser mal interpretado. “O que ele quer dizer com essa camiseta vermelha?”. Ou com aquela camiseta preta, branca, cinza. Discriminado, não compareci.

E se não foi assim, eles devem estar pensando que eu não estou nem aí pra hora do Brasil.


  1. Velhinho, veja lá o que estamos aprontando já na prorrogação do jogo: http://www.andredeak.com.br

    Amanhã nem venho mais trabaiá. Só praia.

  2. É nada, brasileiro é praga em NY… belo espaço este. Comentário inútil, eu sei.

    Abraço

  1. 1 Minas, de novo « : SOL FORTE LÁ FORA :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

    [...] 2, 2008 in Brasil, NY Já disse que Minas é o que nos une, aqui, digo, no [...]




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