Quem gosta de poesia não pode passar sem acompanhar a discussão em torno do projeto/falta de projeto da poesia contemporânea.

Abertura.

A Flap discutindo a falta de projeto visível na produção poética contemporânea

Primeiro movimento.

Ricardo Domeneck na Inimigo Rumor 18 (já falei sobre isso aqui?). O link para querm quiser ler clique aqui nas três setinhas >>>

Segundo movimento.

1234 blogs de poetas contemporâneos brasileiros na rede.

Terceiro movimento.

Anibal Cristobo lança o Afinidades Eletivas, onde poetas recomendam outros poetas e assim sucessivamente.

Entreato.

Anibal cria o foro ‘ninguém é de ninguém’: o que você acha da situação da poesia no Brasil? (quer ler? >>>)

Quarto movimento.

Carlito Azevedo entra no debate e diz que não publica há mais de dez anos. “E é claro que prefiro ficar mais dez, vinte, trinta anos sem publicar nada a seguir o modelo tradicional de publicar, a cada três anos, a cada quatro anos, aproximadamente, um volume que iluda seu autor com a sensação de existir e fazer parte disso que convencionamos chamar poesia contemporânea e cuja existência, pelo menos nestes termos, ainda está por ser provada.” (>>>)

Quinto movimento.

Angélica Freitas: “o que vejo, pro meu gosto, é muita poesia sem sabor. sem graça. você lê e dá na mesma ter lido ou ter ido cortar as unhas. às vezes é mais útil cortar as unhas. e mais divertido! Eu acho a poesia brasileira tao irrelevante que nem vale a pena brigar por causa dela. (>>>)

Sexta Movimento.

Paulo de Toledo provoca no Cronópios: “Se os nossos poetas, na sua maioria, não têm noção de qual seria a função do seu ofício, e se eles não querem se arriscar a criar novas formas de estimular a sensibilidade do leitor, perguntamos: por que esses poetas ainda continuam a fazer poesia?” (>>>)

Continua…

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Poucos sairão calados desta contenda. Já falei uma ou outra coisa. Domeneck e Carlito falam diretamente sobre um projeto literário contemporâneo.

Carlito: “A poesia contemporânea que me interessa é aquela que representa uma aventura intelectual”.

Domeneck: “proponho à minha geração a deformação ideológica de FORM IS NOTHING MORE THAN THE INTENTION OF CONTEXT”.

O SUPERCOISA 00, evento que acontece neste domingo na Casa das Rosas, como uma resposta bem humorada a essa pressão por taxar os novos contemporâneos de geração 00, pode ajudar a quem lá comparecer.

Mas receio estarmos muito longe, todos, de apontarmos um caminho satisfatório para resolver o problema embutido neste discurso. O que quer dizer que esse problema se resolve no fazer (algo que está embutido já no discurso de Domeneck, Carlito e Angélica) ou que o problema é equivocado.

A discussão altera os estados naturais de pressão e temperatura, altera resultados.


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